terça-feira, 30 de abril de 2019

Resultado de imagem para caminhos

O Amor é o caminho que nos leva à Esperança.


O amor é o caminho que nos leva à esperança. E esta não é uma espécie de consolação, enquanto se esperam dias melhores. Nem é sobretudo expectativa do que virá. Esperar não significa projetar-se num futuro hipotético, mas saber colher o invisível no visível, o inaudível no audível, e por aí fora. Descobrir uma dimensão outra dentro e além desta realidade concreta que nos é dada como presente. Todos os nossos sentidos são implicados para acolher, com espanto e sobressalto, a promessa que vem, não apenas num tempo indefinido futuro, mas já hoje, a cada momento. A esperança mantém-nos vivos. Não nos permite viver macerados pelo desânimo, absorvidos pela desilusão, derrubados pelas forças da morte. Compreender que a esperança floresce no instante é experimentar o perfume do eterno.

Fonte: Tolentino Mendonça, in 'A Mística do Instante' 

terça-feira, 23 de abril de 2019

Resultado de imagem para amor

Viver em Estado de Amor


Respirar, viver não é apenas agarrar e libertar o ar, mecanicamente: é existir com, é viver em estado de amor. E, do mesmo modo, aderir ao mistério é entrar no singular, no afetivo. Deus é cúmplice da afetividade: onipotente e frágil; impassível e passível; transcendente e amoroso; sobrenatural e sensível. A mais louca pretensão cristã não está do lado das afirmações metafísicas: ela é simplesmente a fé na ressurreição do corpo.
O amor é o verdadeiro despertador dos sentidos. As diversas patologias dos sentidos que anteriormente revisitamos mostram como, quando o amor está ausente, a nossa vitalidade hiberna. Uma das crises mais graves da nossa época é a separação entre conhecimento e amor. A mística dos sentidos, porém, busca aquela ciência que só se obtém amando. Amar significa abrir-se, romper o círculo do isolamento, habitar esse milagre que é conseguirmos estar plenamente connosco e com o outro. O amor é o degelo. Constrói-se como forma de hospitalidade (o poeta brasileiro Mário Quintana escreve que «o amor é quando a gente mora um no outro»), mas pede aos que o seguem uma desarmada exposição. Os que amam são, de certa maneira, mais vulneráveis. Não podem fazer de conta. Se apetece cantar na rua, cantam. Se lhes der para correr e rir debaixo de uma chuvada, fazem-no. Se tiverem subitamente de dançar em plena rua, iniciam um lento rodopio, sem qualquer embaraço, escutando uma música aos outros inaudível. E o amor expõe-nos também com maior intensidade aos sofrimentos. Na renovação do interesse e da entrega à vida que o amor em nós gera tocamos mais frequentemente a sua enigmática dialética: a sua estupenda vitalidade e a sua letalidade terrível. Mas, como dizia o romancista António Lobo Antunes, «há só uma maneira de não sofrer: é não amar». Mas não é o sofrimento inevitável a todo o amor que impede a vida. O obstáculo é, antes, o seu contrário: a apatia, a distração, o egoísmo, o cinismo. 


Fonte: Tolentino Mendonça, in 'A Mística do Instante'. 

terça-feira, 9 de abril de 2019

Resultado de imagem para rotina

A Rotina não Basta ao Coração do Homem.

A rotina começa por ser um esforço de regularidade nos vários planos da existência, esforço que, temos de dizer, é em si positivo.

A vida seria impossível se o eliminássemos de todo. As rotinas têm um efeito saudável: tornando o quotidiano um encadeado de situações expectáveis, permitem-nos habitar com confiança o tempo. Mas o que começa por ser bom esconde também um perigo.

De repente, a rotina substitui-se à própria vida. Quando tudo se torna óbvio e regulado, deixa de haver lugar para a surpresa. Cada dia é simplesmente igual ao anterior. A nossa viagem passa para as mãos de um piloto automático, que só tem de aplicar, do modo mais maquinal que for capaz, as regras previamente estabelecidas. Os sentidos adormecem. Bem podem os dias ser novos a cada manhã ou o instante abrir-se como um limiar inédito, que nunca os cruzaremos assim. Os nossos olhos sonolentos veem tudo como repetido. E, sem nos darmos conta, acontece-nos o que o salmo bíblico descreve a propósito dos ídolos: «Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem./ Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram./ Têm mãos, mas não palpam» (SI 115,5-7).

Podemos equivocadamente pensar que nos é possível viver assim.

Mas chega a estação, como recorda o livro do Eclesiastes, em que «a vista não se sacia com o que vê, nem o ouvido se contenta com o que ouve» (Ecl 1,8). A rotina não basta ao coração do homem. 

O grande desafio é, em cada dia, voltar a olhar tudo pela primeira vez, deslumbrando-se com a surpresa dos dias. É reconhecer que este instante que passa é a porta por onde entra a alegria. Mas para isso teremos de recuperar a sensibilidade à vida, à sua desconcertante simplicidade, ao seu canto frágil, às suas travessias. 

A vida que nos havíamos habituado já a consumir no relâmpago que dura um fósforo, sem ouvi-la verdadeiramente, sem conspirar para a sua plenitude. Para responder à pergunta sobre o sentido que a dada altura nos assalta («a vida que levo que sentido tem?») é indispensável uma pedagogia de reativação dos sentidos.

Fonte: José Tolentino Mendonça, em  “ A Mística do Instante ” .


terça-feira, 2 de abril de 2019

Resultado de imagem para vazio interior

Estamos no Exílio: sobre o Vazio Interior.


As pessoas sentem-se infelizes e não sabem o porquê. Elas sentem que algo está errado, mas não sabem apontar exatamente o quê. Elas se sentem desconfortáveis no mundo, confusas e frustradas, alienadas e afastadas, e elas não podem explicar. Elas têm tudo, e ainda querem mais. E quando conquistam, sentem-se ainda vazias e insatisfeitas. Elas querem felicidade e paz, e nada parece trazer. Elas querem realização, e nunca parece vir. Tudo está bem, e ainda assim tudo está errado. Isto é uma doença mundial. As pessoas estão cobertas pela atividade frenética e a corrida sem fim. Elas estão enterradas em atividades e eventos. Estão cercadas por programas de televisão e jogos. Mas quando o movimento cessa e a tela é desligada e tudo está tranquilo... então a ansiedade se instala, e a falta de sentido de tudo isso, e o tédio e o medo.   Por que isto é assim

Porque não estamos realmente em casa. Estamos no exílio. Estamos alienados e afastados de nossa verdadeira pátria. Nós não estamos com Deus, nosso Pai na terra dos vivos. Estamos espiritualmente doentes. E alguns de nós já estão mortos.

Nossos corações são feitos para Deus, disse Santo Agostinho, e nós estaremos sempre inquietos até que descansemos n'Ele. Nossas vidas são feitas para Deus, e vamos estar insatisfeitos e descontentes e frustrados até que voltemos para Ele. Somente Ele pode preencher nosso grande Vazio Interior, dar-nos a Paz, porque Ele é nosso Lar e nós somos d'Ele.

A Quaresma é o tempo para o nosso retorno consciente ao nosso verdadeiro lar. É o tempo reservado para voltarmo-nos para nós mesmos, erguer-nos e irmos na direção da realidade divina a que realmente pertencemos.

Fonte: www.
oracaodejesus.com

terça-feira, 26 de março de 2019

Resultado de imagem para vida

" As pessoas viajam para admirar a altura das montanhas, as imensas ondas dos mares, o longo percurso dos rios, o vasto domínio do oceano, o movimento circular das estrelas, e no entanto elas passam por si mesmas sem se admirarem."

" Apaixonar-se por Deus é o maior de todos os romances; procurá-lo, a maior de todas as aventuras; encontrá-lo, a maior de todas as conquistas humanas."

“ Tudo fora de nós flutua com as tempestades e tentações deste mundo. Mas temos um Deserto Interior onde recolher-nos e viver de nossa fé.”

Santo Agostinho

Fonte: www.oracaodejesus.com

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Resultado de imagem para coração
“ O amor cura, o ódio mata ”, o conselho de um gênio da medicina.

A lepra na Venezuela teve seu momento mais trágico nos anos 1930. Nessa mesma época, um jovem cientista de origem na Catalunha, lutava para erradicar a doença e, independentemente dos riscos e dificuldades, seguiu para os locais de infecção para tratar os doentes.

Em 1937, o lendário médico venezuelano Martin Vegas, pioneiro nos estudos da lepra, convidou Convit para visitar a residência Cabo Blanco, no Estado de Vargas, onde centenas de pacientes com hanseníase estavam hospedados.
Naquela época, a doença ainda era motivo de preconceito. Os leprosos eram trancafiados pelas autoridades.

Jacinto Convit (1913-2014), também conhecido como “José Gregorio Hernández de La Pastora”, foi um médico venezuelano, pesquisador meticuloso e dermatologista do Hospital Vargas de Caracas.
Lá, até quase os seus 100 anos de idade, ele trabalhou intensamente, com entrega admirável, onde se ocupou também do câncer da mama, a segunda principal causa de morte na Venezuela.
Em uma ocasião nós o entrevistamos e passamos uma manhã inteira com ele. Naquela época, tinha 92 anos de idade e apresentava agilidade e lucidez de uma pessoa 50.
“Eu só peço a Deus para me conceder um par de anos para ajudar a encontrar a vacina contra o câncer de mama”, disse então. Ele morreu aos 100 anos de idade sem atingir seu nobre propósito, mas deixou avanços muito importantes que seus sucessores continuam a desenvolver.

Este famoso médico e cientisto ficou conhecido pelo desenvolvimento de uma vacina contra a lepra. Recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica em 1987 e foi nomeado para o Prêmio Nobel da Medicina em 1988.

O trabalho do Dr. Convit foi incansável e suas horas foram gastas entre o laboratório e o cuidado de seus pacientes, que ele nunca abandonou. Eles vinham de todos os lugares. Esperavam à sua porta, e ele saía para animá-los e assegurar-lhes que logo seriam atendidos. Deu-lhes sempre um tratamento digno, independentemente de sua condição social.

Na sua idade avançada, ele ainda tratava de cerca de vinte pacientes por dia, além de conduzir uma equipe de pesquisa de primeira linha que ele havia criado e formado. E ainda orientava pesquisadores atuando como professor emérito.

Quando lhe perguntei qual era o segredo de sua vitalidade e lucidez invejável, sem hesitar, ele disse solenemente: “o amor cura, o ódio mata; nunca odeie, ame e você verá que a vida flui como água cristalina”. Foi assim que esse ser humano extraordinário falou, um homem que passou quase um século curando doentes na Venezuela.


Fonte: https://pt.aleteia.org/



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Resultado de imagem para vida liquida


Zygmunt Bauman: Vivemos Tempos Líquidos. Nada é para durar.

Estamos cada vez mais aparelhados com iPhones, tablets, notebooks, etc. Tudo para disfarçar o antigo medo da solidão. O contato via rede social tomou o lugar de boa parte das pessoas, cuja marca principal é a ausência de comprometimento. Este texto tem como base a ideia do “ ser líquido ”, característica presente nas relações humanas atuais. Inspirado na obra “ Amor Líquido ” – sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zigmunt Bauman. As relações se misturam e se condensam com laços momentâneos, frágeis e volúveis. Num mundo cada vez mais dinâmico, fluído e veloz. Seja real ou virtual.
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados da atualidade. Aos 87 anos, seus livros venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Entre eles, “ Amor liquido ” é talvez o livro mais popular de Bauman no Brasil. É neste livro que o autor expõe sua análise de maneira mais simples e próxima do cotidiano, analisando as relações amorosas e algumas particularidades da “ modernidade líquida ”. Vivemos tempos líquidos, nada é feito para durar, tampouco sólido. Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água.
Bauman tenta mostrar nossa dificuldade de comunicação afetiva, já que todos querem relacionar-se. Entretanto, não conseguem, seja por medo ou insegurança. O autor ainda cita como exemplo um vaso de cristal, o qual à primeira queda quebra. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.
É um mundo de incertezas, cada um por si. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “ desconectar-se ”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. É um amor criado pela sociedade atual (modernidade líquida) para tirar-lhes a responsabilidade de relacionamentos sérios e duradouros. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se por “ versões mais atualizadas ”.
O romantismo do amor parece estar fora de moda, o amor verdadeiro foi banalizado, diminuído a vários tipos de experiências vividas pelas pessoas as quais se referem a estas utilizando a palavra amor. Noites descompromissadas de sexo são chamadas “ fazer amor ”. Não existem mais responsabilidades de se amar, a palavra amor é usada mesmo quando as pessoas não sabem direito o seu real significado.
Ainda para tentar explicar a relações amorosas em “ Amor Líquido ”, Bauman fala sobre “ Afinidade e Parentesco.” O parentesco seria o laço irredutível e inquebrável. É aquilo que não nos dá escolha. A afinidade é ao contrário do parentesco. Voluntária, esta é escolhida. Porém, e isso é importante, o objetivo da afinidade é ser como o parentesco. Entretanto, vivendo numa sociedade de total  “ descartabilidade ”, até as afinidades estão se tornando raras.
Bauman fala também sobre o amor próprio: o filósofo afirma que as pessoas precisam sentir que são amadas, ouvidas e amparadas. Ou precisam saber que fazem falta. Segundo ele, ser digno de amor é algo que só o outro pode nos classificar. O que fazemos é aceitar essa classificação. Mas, com tantas incertezas, relações sem forma – líquidas – nas quais o amor nos é negado, como teremos amor próprio? Os amores e as relações humanas de hoje são todos instáveis, e assim não temos certeza do que esperar. Relacionar-se é caminhar na neblina sem a certeza de nada – uma descrição poética da situação.
“ Para ser feliz há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis […] um é segurança e o outro é liberdade. Você não consegue ser feliz e ter uma vida digna na ausência de um deles. Segurança sem liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é um completo caos. Você precisa dos dois. […] Cada vez que você tem mais segurança, você entrega um pouco da sua liberdade. Cada vez que você tem mais liberdade, você entrega parte da segurança. Então, você ganha algo e você perde algo ”, afirma o filósofo.